31 dezembro 2010

OS MELHORES DISCOS DA MÚSICA PORTUGUESA EM 2010

O ano 2010 trouxe algumas confirmações e novos valores que serão analisados nesta lista. A ordem de apresentação é aleatória, não existindo qualquer hierarquia. Para além disso deve considerar-se que não gosto apenas de Rock. Há muitos outros estilos musicais que fazem parte do meu gosto.

Pop Dell’ Arte – “Contra Mundum” (Presente) Ed. Presente – O regresso dos Pop Dell’ Arte, a banda comandada por João Peste, no seu melhor nível.
Gravado no Estúdio Golden Pony, com uma formação composta por Peste, Paulo Monteiro, Nuno Castedo, Eduardo Vinhas e Zé Pedro Moura (com João Peste o único membro da formação original).
Um dos grandes discos do ano, com temas cantados em inglês e em português, tais como “Ritual Transdisco”, My Rat Ta Ta” ou “Noite de Chuva em Campo de Ourique”.
Se os Pop Dell’ Arte foram um dos projectos mais inovadores nos anos 80 do século passado, continuam a sê-lo em 2010. Imperdível.


GAC – “Discografia Completa / 4 CD’s” (Iplay) Reed. Iplay – A reedição completa dos álbuns editados pelo Grupo de Acção Cultural nos anos 70, do século XX. Um dos grupos mais importantes de sempre da Música Popular Portuguesa vê, finalmente, toda a sua discografia reeditada em formato digital, incluindo raridades como os singles e EP’s e até alguns temas inéditos. Pela primeira vez consegue-se, também, perceber quem foram os autores das letras e das músicas dos discos do GAC. Alguns dos temas são, com certeza, datados e bastante panfletários, mas o GAC foi daqueles grupos que deixou raízes e que elevou a qualidade da música de raiz tradicional a um patamar superior.
“ A Cantiga é Uma Arma”, “Pois Canté”, “Ronda da Alegria” e “ E Vira Bom…” são os quatro CD’s reeditados. Para além desta edição em separado irá ser reeditada toda a discografia do grupo numa caixa, em 2011.



Vários – “Novos Talentos 2010” (Fnac) Ed. Fnac – Todos os anos as lojas FNAC editam uma colectânea, dirigida por Henrique Amaro (da Antena 3), onde são revelados os novos talentos da música Pop/Rock portuguesa. A colectânea de 2010 não foge à regra e apresenta-nos projectos como Asneira, Frankie Chavez, Os Capitães da Areia, Paus, Matilha, Mister Lizard ou Tigrala, todos bastante inovadores e com capacidades de singrar no meio musical luso, assim lhes sejam concedidas oportunidades.










Raízes – “Sexta-Feira 13” (Tradisom) Ed. Tradisom – Passados muitos anos os Raízes regressam ao convívio com os melómanos.
Grupo fundado em 1980, em Vila Verde (Braga). Em 85 gravam o seu primeiro disco, um LP intitulado “Raízes” a que se seguiu “Diabo do Belho…”. O terceiro disco surgiu em 1989 e intitulou-se “Caminho D’Água”. Quase sempre os temas dos Raízes eram oriundos do Minho, com uns arranjos modernistas.
Já há, portanto, 21 anos que os Raízes não editavam um disco. Este ano reapareceram com “Sexta-Feira 13”, um registo mais personalizado, ainda que fiel às raízes da música tradicional. Inclui uma versão de “Achega-te a Mim Maruxa”, de José Afonso.



UHF – “Porquê?” (AMR Discos) Ed. Sony Music – O regresso dos UHF que já não editavam nenhum disco de originais desde 2005. Este novo álbum dos UHF poderá, com toda a propriedade, incluir-se na categoria de Rock de Intervenção, já que as letras das canções reflectem isso mesmo. Os UHF não se ficam pelas “falinhas mansas” e vão directos ao assunto em temas como “Cai o Carmo e a Trindade”, “Portugal (Somos Nós)” ou “Porquê?”. Neste disco encontram-se, ainda, duas versões: uma de “O Vento Mudou”, canção vencedora de um Festival RTP na voz de Eduardo Nascimento e “Vejam Bem”, um original de José Afonso. Os UHF soam melhor do que nunca. Ao vivo, então, são do melhor, como foi possível constatar, em Agosto passado, em Aldeia Velha (Sabugal).


ANAQUIM – “As Vidas dos Outros” (Sons em Trânsito) Ed. Universal – Uma das grandes surpresas deste ano que está prestes a terminar. Os Anaquim são um grupo jovem, que nesta gravação conta com colaborações como Ana Bacalhau (dos Deolinda).
Com um som capaz de abarcar várias linguagens musicais, muito acústico, os Anaquim são uma das grandes promessas da nova música portuguesa. Temas como “Na Minha Rua”, “Bocados de Mim”, Horas Vagas” ou “As Vidas dos Outros” estão aí para confirmar os Anaquim como uma das bandas mais criativas do nova música portuguesa.


Vários – “O Que Faz Falta-Zeca Sempre” (Chiado Records) Ed. Vidisco – Mais um projecto que visa homenagear José Afonso. Nunca são demais os discos de homenagem a esta figura ímpar da música portuguesa que foi Zeca Afonso. José Afonso é, aliás, o compositor e intérprete que tem mais canções gravadas por outros, em Portugal.
Olavo Bilac (dos Santos & Pecadores), Nuno Guerreiro (ex- Ala dos Namorados) e Tozé Santos contaram com Vítor Silva como produtor e arranjador de 12 temas que cobrem quase toda a carreira de José Afonso, dando-lhes um toque moderno.
O CD é, ainda, acompanhado por um DVD intitulado “Legados de Zeca”, onde se foca aquilo que José Afonso deixou para poder ser continuado.



Vários – “Caloiros da Canção” (Iplay) Reed. Iplay – Este disco, em formato de um single de vinil, contém dois CD’s. O primeiro é a reedição do EP original de Os Conchas e Daniel Bacelar, considerado o primeiro disco de Pop/Rock em Portugal, lançado em 1960. Rui Veloso, a quem não se retira nenhum mérito, não é, pois, o pai do Rock Português.
O segundo CD contém 25 temas de vários grupos de “yé yé”, dos anos 60, do século XX, tais como Conjunto Mistério, Sheiks, Álamos, Rocks, Conjunto Universitário Hi-Fi, Grupo 5, Fliers, Guitarras de Fogo ou Morgans, alguns dos quais inéditos em formato digital. O “libretto” que acompanha esta edição especial contém a história de cada grupo e uma série de depoimentos de participantes nestes primeiros tempos do Rock português, para além de uma série de fotografias da época. Uma edição histórica, imprescindível para qualquer melómano que se interesse por música portuguesa.
Não se pode esquecer, também, o disco "Senhor Galandum", dos Galandum Galundaina.

1 comentário:

Eduardo F. disse...

Amigo Aristides, a caixa do GAC já saiu há algumas semanas (não muitas). Não temos, pois, de esperar pelo ano de amanhã.
:)