13 julho 2007

Uma cena jocosa , por um Gato Fedorento

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o
ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles,
aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério
muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se
mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão
conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles. E, ao contrário do que costuma acontecer
nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para
que os culpados sejam os professores. Reparem: quando falamos de
professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que
ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias
arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem
algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato
entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de
discernimento? Parece-me claro que não.

A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por
passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a
ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem
nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase
todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto
entre crianças e adultos masoquistas.

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão. Antigamente, havia
as escolas C+S;hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os
professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores
masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades,
este mundo.

Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo
cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das
escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir
explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha
proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos
esperança.

Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida,
não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem,
claramente, não está preparada para o mundo.

Ricardo Araújo Pereira
in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão

1 comentário:

Anónimo disse...

É o medo em cada esquina...